sexta-feira, 17 de abril de 2009

PARTE 03

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BORBOLETAS, EVANGÉLICOS E TODAS AS COISAS FLUTUANTES DE UMA GALÁXIA ÚMIDA
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Enquanto Chali boiava nas águas gélidas, pensou: "o que será de Packers agora?”. Ele estava vendo a imagem de Packers à sua frente enquanto boiava atordoado. Até que de repente o rosto de Packers se transformou em uma gigante cachoeira logo a sua frente. Chali pensou que talvez fosse necessário nadar até a borda. Então nadou, e descobriu que lá havia uma plantação de pepinos. Aproveitou o clima doce do universo para matar a fome comendo milhares de dezenas de unidades de pepino e aproveitou para levar alguns para sua jornada. Então quando achou que estava sozinho, encontrou dezenas de borboletas lindas pegando fogo. Elas queimavam como brasa de nó de pinho, e voavam leves e inofensivas sobre a cabeça de Chali. Ele sorriu e pensou que se chovesse ia começar a sair fumaça das borboletas, e isso seria muito legal. Muito legal mesmo! Então o inesperado acontece: chove, chove muito e Chali encontra a estrada, o asfalto e as britas. Chali então começa a pedir carona cheio de borboletas fumaçando em seu universo craniano. Um caminhoneiro atendeu as pedidos desesperados de Chali por carona, e parou sob um poça, empapando Chali e as borboletas com a lama mais marrom que poderia existir em qualquer lugar que alguém já tivesse ido no mundo inteiro! Lindamente, Chali tirou a crosta de lama sobre seus olhos e sobrancelhas e subiu no caminhão. Ele quase teve um infarto. O motorista era exatamente igual a Packers, seu amor lindo. Chali titubeou, mas o caminhão já estava andando. As borboletas seguiram seu caminho através da chuva, esperando que algum dia flamejassem novamente. Chali olhou para o motorista com olhos de quem se olha os olhares lindos dos olhos e perguntou: “Packers, é você?” "Não" - O motorista responde. "Mas então qual é o seu nome?!" "Selma" - Responde o caminhoneiro com voz de macho. Chali riu e disse, "Selma?" "É, SELMA!" - Respondeu o caminhoneiro brecando o caminhão e olhando para Chali com o olhar de alguém que não gosta que façam esse tipo de pergunta. "Meu nome é Selma sim, tenho um irmão retardado. Fomos separados no nascimento e agora estou procurando ele. Adoro mandiocas." "Que triste!" exclamou Chali, e continuou "Não sei o que faria se eu fosse retardado... você sabe?" O caminhoneiro respondeu: "Não sei. Sei que pego aquele safado e o marido dele, tal de nego Dionei..." No momento Chali se cagou inteiro, pois percebeu que Selma era irmão gêmeo de Pakcers, e agora ele estava lá, naquele caminhão enlameado e cagado procurando o irmão, assim como ele, procurando o amor ranhento de sua vida. Selma prosseguiu: "Quando o idiota do Dionei se apaixonou por Packers, ele se mijou inteiro". "Ele fazia uma cara de desdém enquanto urinava?" – perguntou Chali. "Sim! E uivava como o universo." – Respondeu Selma. "É ele. Com certeza é esse o cara!" – Afirmou Chali, e ainda acrescentou, dando a cartada final: "Conheço Dionei, e Packers. Tenho dois bodoques e dou beliscões fortes como ninguém. Acho que deveríamos matar eles dois já, e depois correr em volta dos corpos como pessoas que gostam de correr em volta de cadáveres. Entende?" "Massa!"- Selma falou. Aquele caminhão fazia barulho como uma capivara tentando comer repolhos. Chali ficou muito nervoso e sentiu vontade de cagar pela segunda vez. Aproveitando que o caminhão já estava cagado, voltou a cagar aquele cocô inesquecível. "Selma, você me proteje?" – perguntou Chali, temeroso. "Tá!" - Selma era um homem de poucas palavras. Aquela viajem de caminhão durou cerca de 31 horas, e a ultima palavra falada foi aos primeiros 5 minutos de viajem. Nos últimos quilometros da viajem só podiam se sentir 6 coisas dentro da cabine do caminhão: vingança, ódio, rancor, maldade, safadeza, e um cheiro instigante de coco pisado. Depois de mais 150 quilômetros, Selma falou: “Vamos parar!” "Pra quê?! Pra quê vamos parar nessa merda de igreja evangélica? Você é um evangélico trouxa, Selma?" – Disse Chali. "Aham!"- Respondeu Selma, entrando no universo crente. Chali pensou, e chegou a conclusão de que aquela era a hora de se vingar daqueles que causaram seu maior trauma de infância, arrancando seu polegar opositor. Chali se cobriu de cocô, encheu os bolsos e também a boca e invadiu o culto: "Quero ver quem tira o capeta de mim!" Gritou o pobre Chali. Foi até um dos irmãos, arrancou-lhe o dedão esquerdo e falou: "Agora o seu dedo vai servir de rolha para o meu cú!" O irmão ajoelhou-se levantou a mão e disse: "Aleluia!". Chali saiu correndo da igreja e foi caminhando até a sua casa, no Alabama. abandonou Selma e toda a sua vida nojenta. Chegou em casa deitou na mesa de jantar e dormiu por 3 meses. Passados os 3 meses, os vermes já tinham comido o dedão do irmão que ele enfiou no cú, e o cocô secou e virou farinha. Chali levantou, e se sentiu incrivelmente bem! Estava mais maduro, mais disposto, seu cabelo e sua barba haviam crescido, e ele resolveu que o passado estaria enterrado para sempre, sob toda a merda que ele já havia cagado durante toda a sua existência, pois agora caro leitor, era hora de montar uma banda! Uma banda de ROQUE! Chali pegou seu terno amarelo e azul e saiu na rua vomitando e gritando "ROQUE!" Depois de mais de 7 horas gritando e vomitando bílis, chega um anão muito amarelo e pergunta: "Me chamou?" Chali falou: “Não. Só estou gritando ROQUE!” O anão amarelado respondeu sem titubear: "Mas eu sou o Roque." Os dois se entreolharam com o universo lindo e lacrimejante entre eles e sairam à gritar na rua "ROQUE!" Chali não podia acreditar que em apenas sete horas ele havia encontrado o Roque, em carne e osso, por mais que fossa pouca, mas estava ali! Ele podia tocar, mas não ia tocar, não em um anão. Não ia tocar pois seu corpo estava abalado por um sono lindo. Chali enfiou-se em sua casa e dormiu por mais 42 minutos, até às 7 da manhã. E quando chegou a hora, ele levantou da mesa, fez um café, mas não tomou. Ligou a TV, mas não assistiu, e assim se passaram alguns minutos até que ele percebesse que tudo que lhe interessava era o Roque, as gatas e o Pãcs. Pãcs era um cara gordo, que gostava de comer margarina de colher, ele era saxofonista. Ele era irmão de Roque, mas não era anão, não mesmo! Roque tocava uma bateria com bumbo, chimbal e caixa, e achava que poderia fazer o tempo voltar se achasse um ritmo balanceado e o tocasse com Pãcs por 500 dias seguidos. Pãcs conseguiu tocar por no máximo 3 dias, até entrar em coma e depois disso, disse que ia esquecer do Roque, mas não conseguiu. Pois Roque era pequeno e ágil, e seguiu Pãcs até que este se cansa-se. Os três montaram uma banda de jazz no Alabama. Chali era o cantor e o compostor da banda, e decidiu que o nome mais cabível para a banda era 'Que será?', que depois se chamou "Virose". Entretanto, hoje a banda se chama "Banda 1000". Com seus hits "se eu pudesse eu tocava 1000", "se eu pudesse urinava 1000", "se eu pudesse eu cagava 1000", "se eu pudesse eu uivava 1000" e "se eu pudesse eu rosnava 1000", todos gravados no cd "Cabra-home". "Cabra-home" vendeu cerca de 16 cópias na sua primeira edição. Chali, Roque e Pãcs não desistiram e começaram a procurar a fórmula de voltar no tempo, para incluir no cd o hit "se eu pudesse eu vendia 1000". A vida dos três seguiu baseada em vodka, café, ternos de veludo, pantufas, e corridas no milharal por algum tempo. Até que, numa manhã gelada de Outono, Chali viu que a bandeirinha de sua caixa de correio estava levantada como um falo ereto e úmido. Correu muito para ver o que tinha, mas novamente caiu no sono. Em seus sonhos, caído na calçada, ao lado da caixinha de correio, ele via mandiocas dançando em volta de um envelope, enquanto cantarolavam desafinadas “Que será!? ... Que será!? ...“

Um comentário:

  1. lindamente lindo, voces só podem ter tirado essas idéias da parte do cerebro que fica próxima do catarro.
    abraço

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