sexta-feira, 24 de julho de 2009

PARTE 09

QUANDO O CALDO BORBULHA
Chali já vomitara mais de mil vezes antes, mas aquele vômito era com certeza mais oleoso, pegajoso e azedo do que qualquer vomito interplanetário. Era um vômito curioso, pois cheirava a merda fermentada. Estava realmente azedo, e Chali pensava em como aquilo tudo era azedo. Após se descobrir daquele véu gosmento de bílis e vômito, Chali avistou aquilo que seria a figura mais humilde naquele posto de gasolina. Um homenzinho baixinho e barrigudo, usando óculos de aviador e uma boina olhava para Chali com um rosto sem expressão e resmungava: "Argh, essa merda ... caguei ... comi tudo ... e tal ... agora vomitei ... nesse cara ... vou comer de novo ..." Chali suou. enquanto o homem chupava o vômito cremoso de seu corpo, vieram muitas coisas à cabeça de Chali, e entre essas coisas, vieram coisas realmente estranhas, e entre essas cosias estranhas, vieram coisas inexplicáveis, e entre essas coisas inexplicáveis, vinha o som de Tim Maia, estranhamente no seu âmbito anal. Aquilo realmente era familiar. Foi quando o homem urrou com voz fanha: "Me dêêê motivo!" Chali levantou-se assustado e plantou uma bananeira de emoção. E, sem saber que faria a alegria daquele homem de boina, Chali começou a defecar, alí, plantando bananeira. Aquele cocô mole e morno escorreu pela sua coluna, chegou a sua nuca e desgruvinhou em seu cabelo crespo. Um cheiro de fossão velho aplainou-se naquele ar. O cheiro de cocô era imenso, sim, era cocô pra valer. O homem tirou os óculos boqueaberto, caiu de joelhos no chão e foi engatinhando até a poça de excremento que se formava logo abaixo da cabeça de Chali. O homem lambeu aquilo tudo com a sede de um camelo no deserto. Chali ria de alegria. E enquanto o homem com cara de fimose sugava aquele monte de bolo fecal, Chali sentiu pena. Não queria deixar o homem alí, sozinho. Então o guerreiro Chali pôs-se a comer o próprio cocô alí mesmo, na frente dele e de mais de 23 curiosos que formaram um círculo para ver aquela obra do tinhoso. As pessoas se alvoroçavam, queriam ver o ato fecal-gastronômico, e jogavam moedas, sim, jogavam muito forte moedas nas orelas de Chali e do homem, enquanto o par de comilões se deliciava com o mais puro cocô do universo. Mas, para a tristesa dos espectadores o cocô acabou. Do cú de um, direto para o estomago do outro. Aplausos procederam o espetáculo. Porém, subitamente, Chali falou: "Queria tanto ouvir Tim Maia agora!" O homem olhou para Chali e falou com a sua voz problemática. Uma mistura de fanhês com gagueira, aflição e hiperatividade: "Qué Tim? Qué Tim? Qué Tim? Tão Péra ... péra ... péra aí ... vo pegá ... vo pegá ... vo Pegá lá!" Saiu correndo e babando até chegar a um pobre búfalo que dormia na sombra de uma castanheira. Enfiou meio braço no cu do bufalo e voltou gritando e apontando para um papel que acabara de tirar do ânus do animal que continuou dormindo. O homem gritava muito, se esganifando. E estava gritanado numa lingua que não era de Jesus. Algo como um dialeto dos índios violentadores de codorna da Ilha de Sumatra. Mas não, era uma outra língua. Chali se esforçou para ouvir até que conseuiu decifrar o quê dizia o pobre homem de fala ligeira: "Ta aí óóó ... ta aí óóó! É ele ... é eeele! ... Queria o Tim? Tá aí ó! É Tim! É Tim!" O homem babava suor. E depois que olhou para aquilo que estava na mão do homem, Chali começou a suar saliva! Era uma foto. Uma foto de Tim Maia. Uma foto de Tim Maia vivo, de cabelos e barbas brancas, morando num iglu na neve. Chali começou a gaguejar, e a mugir, então latiu e urrou: “Se eu pudesse eu encontrava mil!” E saiu correndo. Correu mais de 16 milhas e pensou: “Que falta de educação, não pedi ao senhor com cara de fimose o nome dele.” Voltou correndo as 16 milhas, até que encontrou o homem, cheio de cocô no corpo e com o pênis ereto. "Qual é o seu nome?" perguntou o tímido Chali. "Álvaro, meu filho! Mas lá em São Paulo sou conhecido como Álvaro Cocô!" E voltou a chafurdar seu pênis em uma porção de cocô melado. Enquanto ia embora pensativo Chali ouvia Álvaro gritando "Cocô! Quero muito! Cadê? Cadê? Cê viu? Eu não! Cadê! Cocô! Só transo com cocô!" Álvaro era o nome, agora Chali sabia. Mas, e Tim Maia? Onde estaria o gorducho Tim? Agora que Chali sabia que Tim estava vivo queria que ele tocasse ao vivo no ritual do fim do mundo. Chali pensou em recorrer a Pãcs e Roque, para voltar no tempo e resgatar tudo que existe de bom na natureza. E aproveitanado a viajem, Chaliresgataria Packers, o falecido com um pepino na mão. E agora? Chali limpou melhor a foto que estava cheia de merda de búfalo e, enquanto lambia os dedos, olhava detalhes antes não vistos da foto. Atrás do iglu haviam renas e tim estava todo vestido de vermelho sentado ao lado de um gigantesco saco. Chali por um momento achou aquilo familiar. Mas acabou dormindo em pé. HO HO HO! Que será?

Um comentário:

  1. Voce é doente? uaheuaheuae... brincadeira... muito bom...

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