sexta-feira, 19 de junho de 2009

PARTE 08

CALAFRIOS EFERVESCENTES

Chali acordou após a explosão que acabara de ocorrer em seu cú falante já pensando em se levantar, mas algo incrível aconteceu. Chali sentiu que algo iria vomitar-lhe na sua cara oleosa e amanteigada. Queria suspirar mas seu coraçãozinho incontrolado derramava fortes impactos cristãos e unigélidos, até que aquilo que estava prestes a dar urros cremosos em sua cara começou a tropeçar. Tropeçou no infinito e lá ficou suspenso pela eternidade. O tempo parecia estar andando lentamente, e um sentimento de paz dominava a aura do menino que um dia fora molestado pela Igreja. Sentimentos de pura simplicidade enlouqueciam o joelho de Chali. O pobre cagão do universo via cocôs cheios de chepas de cabelo urrando "abóboras brancas!", em um som que mais parecia urrar "abóboras não-brancas!". Chali confundiu-se e naquele exato milésimo de segundo os cocôs catarravam cores para todos os lados, contando com a frente e com o lado esquerdo daquele infinito infinitamente sem fim e eterno. A visão de Chali se ampliava a cada instante, permitindo que ele visse que envolta do infinito haviam vacas brilhantes, que brilhavam como a luz que iluminava a iluminação da luminosidade luminosa existencial de cada ser que existia em meio a todo aquele infinito que agora ele podia ver, podia entender, podia até sentir os odores. E eram odores fortes. Cheiravam enxofre ao sol! E tudo aquilo que era iluminado pela luz que iliminava a iluminação da luminosidade luminosa de cada ser que existia em meio a todo aquele infinito que ele podia ver, eram de apenas 3 cores, aquelas que ele mais gostava. Mas as cores se multiplicavam cada vez mais em tudo aquilo que ele via com seus próprios olhos oftalmológicos e no fim, tudo era aquilo que ele via. Vacas brilhantes e cocôs com chepas de cabelo humilde e simples. A humildade e a simplicidade daquela momentaneidade lembravam Chali da maternidade onde não havia maldade nem desigualdade, apenas bondade e sinceridade. Como era lindo sentir aquilo, pensou ele. E quanto mais Chali sentia satisfação mais as cores se multiplicavam e se misturavam, o cocô derretia e escorria no infinito e as vacas urravam eufóricas. Foi aí que os anjos apareceram. Os anjos não gritavam, nem urravam, muito menos falavam, tampouco sussurravam, sequer cochichavam e nem ao menos emitiam gases. Os anjos emitiam luzes de pensamento puro, cristalino e enxaguante para Chali, que apenas agonizava e gralhava “Cocô abençoado! Cocô abençoado!” Chali parou. Não falou e tampouco se impressionou. Apenas falou arrotando “Se eu pudesse eu entendia mil!” Porém o arroto de Chali fora sufocado pelas luzes emitidas pelos anjos. Luzes estas que vinham acompanhadas de um som de órgão alucinante que arrebatava o coração de Chali a cada nota. Chali sentia um prazer imensamente sufocante que o elevava aos mais altos níveis da consciência. Chegou a pensar que estava morto, mas isso não importava. Afinal, pensou chali, se aquilo fosse estar morto,“Se eu pudesse eu morria mil!” Sim, morria mil! E mil era o numero somado e multiplicado de vezes que chali pensava em ejacular naquele instante. Se ele pudesse, ele gozava mil. Mil litros de esperma da mais adstringente consistência e de um odor muito parecido àquele enxofre seco e miserável como os mais oculares óculos que o oculismo já teve o prazer de ocludir. Chali parou. O cocô sumiu, o cabelo sumiu, e as cores universais sumiram. Aquela coisa que estava prestes a vomitar na cara de Chali agora aparecia em pensamento na mente de Chali. Cocô era seu sobrenome. Angústia e coisa ruim passaram pelo peito mal pago de Chali. O infinito começou a ficar ofuscado. Chali forçava os olhos para ver, mas não conseguia. Aliás, parecia que o infinito estava se transformando em um rosto de alguém muito feio de boca aberta. As vacas começaram a perder a luminosidade, e Chali pode ver que elas estavam num pasto atrás do cara feio. E o mais incrível é que eram só vacas! Só vacas mesmo! Aquele incrível e magnificente 1 segundo de sua vida havia terminado, e o último som que Chali ouviu foi um “UUURRRHHHHGGG!!!”. Enquanto Chali era cegado pelo vômito, pensava “Que(m) será?”

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